páginas de rascunho

pensamentos de um sábado à tarde

estou no momento exato entre quem um dia já fui e quem um dia vou ser. normal, todo mundo passa por isso, o problema é que, pra mim, essa localização se encontra vazia. eco... ando na minha mente, parada e sem dizer nada.

toda e qualquer tentativa de escrever alguma coisa ao me descrever parece falsa, e todas as frases que digito só parecem um emaranhado de palavras, sem alma ou qualquer outra coisa que as conecta e as transforma em frases de verdade. isso é normal? imaginar a vulnerabilidade do texto, trêmulo só de pensar que em algum momento será lido, me torna um ser humano coeso ou apenas esquisito?

antes, ao não saber de nada, olhava para o que escrevia e ficava maravilhada, mas, agora, com idade o suficiente pra saber que não tenho nem idade, percebo que só sei o que todo mundo sabe, e nada do que já passou pela minha cabeça foi, realmente, uma barbaridade. fato, preciso de tempo pra saber o que quero saber, então, talvez, com dedicação, um dia eu consiga... ao menos se antes eu descobrir o que é!

como já estamos vivendo um novo ano, há um mês e meio, se na minha cabeça ainda estamos no dia primeiro de janeiro? por que estou tentando rimar as frases o tempo inteiro? meus journals se encontram abandonados, mas isso aqui também é uma forma de registrar que existi durante essa passagem de tempo, não é mesmo?

você já viu uma cama que existe no chão e flutua ao mesmo tempo? acho que os cupins que a devoram também a sustentam. ou não, talvez eles se odeiam... o que a cama faria se ela tivesse o feitiço de existir? será que ela tem o sonho de ver o mar? ela denunciaria as pessoas por mantê-la tanto tempo em cárcere privado, ou tudo o que ela quer é viver dentro de um lar? com crianças ou idosos, ou animais, ou sem ninguém pra bagunçar? de novo, pare de tentar rimar! o que você faria se fosse uma cama de madeira maciça? é loucura da minha parte, a você, isso perguntar?

rima pobre, eu sei, mas é o que sai da minha cabeça, e se eu pensar demais eu nem publico, por isso não vou reler o que tá escrito (mentira, eu reli tudo. para de tentar rimar tanto, menina!), e talvez, assim, as palavras façam um pouco mais de sentido.

meus óculos quebraram, sabia? tudo o que eu vejo está borrado, e é estranho saber que o que eu vejo não é exatamente o que existe na vida real. me pergunto se o meu reflexo no olhar das pessoas se assemelha ao eu que existe todos os dias, ou se o oftalmo errou o grau da lente de todo mundo, inclusive o meu.

é difícil fazer o que não se quer fazer, e eu não quero escrever algo que diga "tchau, até a próxima vez", ao mesmo tempo que não quero admitir que não queria ter escrito nada disso, porque estou lendo pouco e sentindo que as palavras já não são minhas amigas (o que sei que é mentira), mas não é preciso superar nossos medos? o que eu queria mesmo é tomar sorvete, mas tudo o que como tem aquele gosto de "não era isso o que eu estava esperando", porque, no fundo, eu sei que não quero sorvete, então o que eu quero? acho que só o tempo vai me dizer...