páginas de rascunho

mais um dos vários papéis soltos do meu bloquinho imaginário de rascunhos

é uma quinta-feira, a segunda do ano, e eu estou sentada nos pés da cama e olhando para a minha capinha de celular do meu lado, ela imita um celular antigo da nokia, parecido com os que minha vó e meu pai tinham e que eu usava pra jogar o jogo da cobrinha. é uma tarde quente e eu preciso comprar mais morangos, não há a possibilidade de sobreviver nesse calor sem smoothie, mas eu queria mesmo era conseguir ingerir coisas doces só de vez em quando (e assim o mundo seria triste, talvez eu me odeie). tenho uma garrafa de água cor-de-rosa (pastel) e ela está comigo o tempo todo, mas é comum que eu esqueça da necessidade de ingerir o líquido incolor e inodoro que mora dentro dela, queria mesmo era ter uma fábrica de água de coco.

em 2023 eu decidi que faria um blog, mas o foco era mais na estética do que nas palavras, agora estamos em 2026 e aquelas ideias continuam como meras ideias na minha cabeça, e já nem sei se ainda tenho aquela estética.

uma coisa ruim de ser jovem agora é que você nunca sabe se o que é seu (gostos e anseios) de fato foram pensados pela sua cabeça ou se um algoritmo escolheu para você. desde sempre, meus interesses pareciam mais nichados, mas não é porque eu não estava acompanhando a vida daquela loira rica que o algoritmo não estava fazendo seu trabalho, e eu sempre me senti "básica" (superficial) nos lugares em que estava... ou observava, do lado de fora de uma tela. ao mesmo tempo, e, de tempos em tempos, uma nova versão minha aparecia, hiperfocava em algo, ficava por lá alguns meses inserida, e depois saía, como todo mundo depois que um hiperfoco acaba. quem sabe, um dia, meu belíssimo cérebro divergente fuja desse padrão de se sentir confortável em algo só se passar o dia inteiro ali. é preciso beber água, eu não vou viver pra sempre na "adolescência tardia"!

toda vez que compartilho algo que acho vulnerável demais, tento falar alguma coisa meio engraçadinha ou inesperada pra ver se, assim, o que eu disse não soa como exagero, ou drama, ou qualquer outro sentimento negativo. é parte da experiência humana compartilhar os sentimentos e mostrar aos outros que eles não estão sós, não é? então por que é tão difícil saber que alguém vai ler cada linha do que eu escrevi aqui, nem que seja só "meu ventilador quebrou e agora estou com calor"? a verdade é que eu não tenho nenhuma resposta pra nada, nunca tive, e tenho a vida inteira pra ver se consigo melhorar. no meio do caminho, talvez eu pare de pensar tanto no futuro do pretérito e comece a ter histórias pra compartilhar (e não era minha intenção rimar), mas por enquanto, tudo o que tenho a oferecer é esse lugarzinho que, a partir de agora, talvez tenha mais rascunhos como esse. se não der certo/eu não quiser mais, apago e finjo que ele nunca existiu, assim, serei excluída da memória de todos para sempre